sexta-feira, 24 de junho de 2011

Torna-se um animal novamente


E seus olhos converteram-se em sangue. E a sede pela morte o apoderou.

Há muito tempo não se sentia assim. Há muito tempo descansava em arriscada calmaria. Mas agora despertou novamente, e com toda fúria caçará suas presas. Como lobo não descansará. Vencerá em resistência até que sua Fome seja saciada.

Torna-se um animal novamente.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Hey You - Pink Floyd

Hey you
Out there in the cold
Getting lonely, getting old
Can you feel me?

Hey you
Standing in the aisle
With itchy feet and fading smile
Can you feel me?

Hey you
Don't help them to bury the light
Don't give in, without a fight

Hey you
Out there on your own
Sitting naked by the phone
Would you touch me?

Hey you
With your ear against the wall
Waiting for someone to call out
Would you touch me?

Hey you
Would you help me to carry the stone?
Open your heart, I'm coming home

But it was only, fantasy
The wall was too high, as you can see
No matter how he tried, he could not break free
And the worms ate into his brain

Hey you
Out there on the road
Always doing what you're told
Can you help me?

Hey you
Out there beyond the wall
Breaking bottles in the hall
Can you help me?

Hey you
Don't tell me there's no hope at all
Together we stand, divided we fall

domingo, 29 de maio de 2011

O Teatro

O teatro lúdico! Cadeira em jacarandá revestido. Tecido manchado e rasgado. Trilhas artísticas de cupim faminto. Hora de o louco homem anunciar o início da peça! Pó branco mal aplicado em apenas um dos lados do rosto caindo e sujando o smoking que aparentemente o acompanha por vários anos. Imagino que no camarim não tenha espelhos. Impaciente, minha mão transpira e mancha o apoio de braço da cadeira. Sinto uma tábua solta sob meus pés. O ator começa a entrar arrastando uma das pernas como se não já contasse mais com a ajuda da mesma. A música se inicia. Som de vitrola. O ator chega ao centro do palco. Olho para os lados e vejo que nessa noite a casa está vazia. Na verdade bem vazia. Somente eu na platéia e bem ao fundo uma velha senhora com as marcas do tempo expostas em sua postura. A iluminação do palco é ruim, mas mesmo assim consigo reparar uma grande semelhança fisionômica com o ator. Isso gerou um certo mal-estar. Procuro novamente a velha, mas ela já não se encontra mais. Sou eu... O ator sou eu! Olho para o chão e vejo a velha deitada próximo a mim com uma estranha lâmina na mão. Tirara sangue em minha perna. O ator começa a recitar histórias passadas. Começa a contar minha vida, desde a infância até os dias de hoje. Tento sair do local, mas o corte da perna me prejudica. A velha acertou um tendão. Sinto o sangue descer. Muita dor. O ator caminha focando o olhar em mim como a exigir mais atenção. Desprezo. Conta histórias aumentando um pouco mais o tom de voz. Desprezo. Caminho para o corredor central. Minha perna não obedece e começo sentir a necessidade de arrastá-la. Lembro da velha. Maldita velha! Por que esqueci dela? Continuo caminhando. O ator começa a contar histórias que desconheço. Isso me assusta ainda mais. O contexto e as pessoas envolvidas eu conhecia. Não conhecia a história, pois ainda não havia vivenciado as mesmas. Eram histórias que estavam por acontecer. Assustado, olho para o ator e vejo que ele não está como antes. Está agora em uma cadeira de rodas, tossindo, fraco, me encarando e sorrindo. Sujo, mal arrumado. Magro. Aquilo me assusta. Vejo que na minha mão existe uma arma. Não tenho armas. O ator continua contando as histórias. Vi a velha ao lado do ator. Com uma lâmina aparentemente cega ela tenta rasgar a perna do ator tentando gerar um corte mais profundo. O ator apenas sorri dando para ver a dor que sente. Mas ele não para de contar histórias. Chego próximo do palco. Ouço a respiração da velha. Ainda não estou tão perto para isso. Aquela situação começa a me enlouquecer. O ator volta a recitar em um tom de voz mais alto intercalado risadas insanas. Minhas histórias? Que se dane! Descarreguei o tambor de munição no peito do ator. Fiz calar. A velha se assustou e recuou. Não pensei em matar a velha. Não sei por qual motivo. As paredes do teatro começaram a se rasgar. Eram de papel. As cadeiras se desmancharam. Também eram de papel. Minha perna ainda dói. Não consigo lembrar das histórias contadas pelo ator. Fui embora. Caminhei arrastando minha perna como se não já contasse mais com a ajuda da mesma.

domingo, 1 de maio de 2011

Maya

Maio, quinto mês do calendário gregoriano. O seu nome é derivado da deusa romana Bona Dea. Outros preferem dizer que a origem se deve à deusa grega Maya.

Maya na mitologia grega era uma ninfa, e à ela era consagrado o dia 15 de maio.

Ela é deusa da fecundidade, e da projeção da energia vital, e também era a ninfa que personificava os lugares frios.

Na mitologia romana, Maya era identificada como Maya Maiestas (também chamada de Bona Dea (a "Boa Deusa")).

À Maya, maio. À Bona Dea, o dia 15 de maio. A todos, apenas mais um dia de mais um mês.

“... o pra sempre.”

domingo, 24 de abril de 2011

A nova Pangéia

Lembro-me exatamente quando começaram as famosas Movimentações. Lembro de a primeira ter ocorrido no início do ano de 2011. Houve um desespero generalizado quando as Movimentações começaram a ficar freqüentes, principalmente depois de a terceira destruir por completo o Continente Asiático. Tudo se destruiu em um período muito rápido.

O distúrbio partiu desse momento, quando, somando o descontrole financeiro mundial, a falta de alimento não contaminado, a dificuldade de acesso à água potável e muitos outros fatores, fez com que tudo se desmoronasse como se fosse um imenso castelo de areia feito pela humanidade e que decidimos por crer que jamais se destruiria. Muitos criam que “a grande visitação” estaria próxima, mas os anos se passavam, a natureza cada vez mais descontrolada, e nada do que era profetizado acontecia.

A Pangéia se formou novamente, e o pensamento generalizado que o Grande Deus havia adormecido era a única realidade dita e unânime entre todas as crenças. Tivemos que se esquecer de Deus e apenas sobreviver. Muitos morreram com a contaminação, muitos morreram assassinados pelos próprios vizinhos que agora lutavam por um pedaço de pão. E muitos morreram para servir de alimento para outros muitos.

A humanidade se tornou descrente e se firmou apenas nos instintos mais primários de sobrevivência. Todos achavam que o fim estava próximo, mas o fim nunca vinha, e antes de sua vinda, por nossas próprias mãos destruímos tudo. Descontrolamos a natureza.

A medicina estava avançada, mas agora, um simples amputamento já é motivo para o sacrifício e distribuição da carne para alimento. Os estudos dos astros e a habitação de outros planetas era uma realidade quase concretizada, mas agora só nos restou lembrar dos nomes e ler o que se acha nos livros que ainda não foram queimados. A tecnologia eletrônica estava presente em tudo, mas agora tudo se fez meras sucatas sem energia.

Essa é a grande provação, a maior de todas, principalmente por não ter sida profetizada. Não existe mais moeda, tudo é à base de troca ou luta. Não existe mais grandes nações, os limites territoriais foram destruídos. Não existe mais língua universal, retrocedemos por cair em desuso. A humanidade passa pela maior provação, a provação de se lembrar e lutar pela reconstrução em um momento histórico onde a simples sobrevivência já parece algo tão difícil de imaginar. A provação de se lembrar que existe Deus onde tudo parece provar o contrário. E assim seremos verdadeiramente separados.

domingo, 10 de abril de 2011

Waiting For The End - Linkin Park

This is not the end, this is not the beginning
Just a voice like a riot rocking every revision
But you listen to the tone and the violent rhythm and
Though the words sound steady, something empty's within 'em
We say yeah
With fists flying up in the air
Like we're holding onto something that's invisible there
'Cause we're living at the mercy of the pain and fear
Until we dead it
Forget it
Let it all disappear

Waiting for the end to come
wishing I had strength to stand
This is not what I had planned
It's out of my control
Flying at the speed of light
Thoughts were spinning in my head
So many things were left unsaid
It's hard to let you go

(Oh) I know what it takes to move on
(Oh) I know how it feels to lie
All I wanna do is trade this life for something new
Holding on to what I haven't got

Sitting in an empty room
Trying to forget the past
This was never meant to last
I wish it wasn't so

(Oh) I know what it takes to move on
(Oh) I know how it feels to lie
All I wanna do is trade this life for something new
Holding on to what I haven't got

What was left when that fire was gone
I thought it felt right but that right was wrong
All caught up in the eye of the storm
And trying to figure out what it's like moving on
And I don't even know what kind of things I've said
My mouth kept moving and my mind went dead
So, Picking up the pieces now where to begin
The hardest part of ending is starting again

All I wanna do is trade this life for something new
Holding on to what I haven't got

This is not the end, this is not the beginning
Just a voice like a riot rocking every revision
But you listen to the tone and the violent rhythm and
Though the words sound steady, something empty's within 'em
We say yeah
With fists flying up in the air
Like we're holding onto something that's invisible there
'Cause we're living at the mercy of the pain and fear
Until we dead it
Forget it
Let it all disappear

(Holding on to what I haven't got)

terça-feira, 5 de abril de 2011

Um dia novo denovo

06:03 da manhã. O som da chapa quente que não se envergonha em exalar o odor de gordura velha sendo queimada.

Copos engordurados cheios de café quente. Quente, não novo. Apenas quente.

O som dos primeiros motores nervosos por saberem do trânsito que os espera. O ouvido ainda desacostumado com o som alto.

Pessoas que ainda não se lembraram de vestir suas máscaras. Poucas se atrevendo ser cordiais e arranhando um cumprimento apenas por terem sido habituadas a tal. Um “bom dia” vomitado sem nem se atentar para o real significado de sua existência.

Um bom momento para pensar, para refletir. Um bom momento para decidir os próximos passos. Para decidir o que fazer para esse dia não ser apenas mais um. Para decidir como fazer para esse dia ser único.