terça-feira, 13 de julho de 2010

Sonho...

"Há quem diga que todas as noites são de sonhos.
Mas há também quem garanta que nem todas,
só as de verão.
No fundo isso não tem importância.
O que interessa mesmo não são as noites em si,
são os sonhos.
Sonhos que o homem sonha sempre.
Em todos os lugares, em todas as épocas do ano,
dormindo ou acordado." William Shakespeare

A possibilidade de sonhar vale a pena,
a possibilidade de realizar o mesmo vale a minha vida.

domingo, 11 de julho de 2010

Minha Alma

A minha alma tá armada e apontada
Para cara do sossego!...
Pois paz sem voz, paz sem voz
Não é paz, é medo!...

As vezes eu falo com a vida,
As vezes é ela quem diz:

"Qual a paz que eu não quero conservar,
Prá tentar ser feliz?"

As grades do condomínio
São prá trazer proteção
Mas também trazem a dúvida
Se é você que tá nessa prisão

Me abrace e me dê um beijo,
Faça um filho comigo!
Mas não me deixe sentar na poltrona
No dia de domingo, domingo!

Procurando novas drogas de aluguel
Neste vídeo coagido...
É pela paz que eu não quero seguir admitindo

É pela paz que eu não quero seguir
É pela paz que eu não quero seguir
É pela paz que eu não quero seguir admitindo

sábado, 26 de junho de 2010

A ida

- Papai... papai... a vovó está morta?
- Sim filho. Sua vovó foi morar com o Papai do Céu.
- Mas ela vai voltar?
- Não filho. Ela foi pra lá e agora vai descansar para sempre.

- ... Ela vai sentir dor?
- Não filho. A vovó vai ficar bem! Não se preocupe... ela vai ficar em paz!
- Mas e quando eu quiser ver a vovó de novo??
- Não filhão... a gente não vai ver a vovó de novo. Mas as lembranças dela vão ficar guardadinhas dentro do seu coração, para você ter a vovó com você em todo momento.

- ... Ela vai mesmo ficar bem?
- Vai sim, filho. Não se preocupe... você só tem 4 anos. Mais tarde vai entender melhor...!

...
...
- Papai... então também quero morrer!!!

quinta-feira, 3 de junho de 2010

o cão

Já havia passado a virada da noite e eu caminhava por aquelas ruas desertas com mais tempo para aguçar minha percepção. Uma névoa tímida pedindo permissão para invadir a cidade. Ruas calçadas com pedras desalinhadas. Nessa hora da noite é fácil ouvir os gritos de dor vindo dessas pedras. O ar frio comprimia meu peito e, sem perceber, meus passos já se descreviam mais curtos e pesados. Me assustei com um cão ao meu lado. Um vira-lata de médio porte, de pêlos negros e extremamente magro. Estranho que, apesar do silêncio, não havia notado sua chegada. O cão, um tanto inquieto, caminhava ao meu lado implorando minha companhia. Olhava para todos os lados e se movimentava como se, a qualquer momento, necessitasse demonstrar rendição, se assustando com toda sombra e até mesmo com as folhas das árvores que se mexiam com o vento. Com um urro mal pronunciado tentei afastar o animal de perto de mim, mas percebi de forma estranha que naquela noite eu era o que demonstrava menor perigo a ele. Olhei nos olhos dele e não consegui entender. Os sem alma não ajudam muito nessas horas. Tentei descobrir o que o amedrontava tanto. Estávamos sozinhos, andando em direção à Cidade Baixa onde o frio era maior. Naquele lado da cidade os animais não emitiam som algum, nem mesmo os insetos noturnos, todos em absoluto silêncio. O frio já endurecia meus pés e pude perceber que meus passos estavam ainda mais pesados. Pouco mais a frente senti um forte vento assoprado de todas as direções. O maldito cão parou imediatamente de andar e forçou um choro comprimido abaixando sua cabeça sem olhar diretamente para mim. Nessa hora percebi o que o atormentava. Olhei para o cão e, quando me virei, vi o que o atormentava. Maldito cão-guia amaldiçoado a caminhar por essas ruas. Maldito cão-guia que me guiou até aqui. Maldito cão-guia, escravo morto.

domingo, 23 de maio de 2010

quando começaram a distorcer a história?

para que ter medo?
não seria louvável nos diferenciarmos dessa leva podre que só libera maus hodores?
não seria maravilhoso voar?
voar de bem alto, valorizando cada segundo?!
vejo que ainda não nos entendemos.
temos muito mais além disso tudo! temos nossa mente!
para que nos aprisionamos socialmente, aceitando obrigações e etiquetas impostas, ouvindo sermões de pessoas que não sabem falar?
para que calar e morrer por uma causa de outros?
temos muito tempo para voar!
cada segundo aproveitado! cada pensamento elevado!
e veremos muito além dos horizontes!
e ouviremos as vozes que hoje se abafam!
digo isso para que me odeie.
para que corra para longe de mim, porque não consigo aceitar o aprisionamento que querem oferecer.
me libertaram, e não quero outros grilhões.
digo isso para que me descarte, pois sei de suas opiniões.
veja como tudo isso nos impede de ver o que realmente deve ser visto!
veja como tudo nos impede de buscar as coisas que realmente precisam ser achadas!
sei que pensa igual a mim, mas ainda não é hora de dizer.
teria medo.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

pensamentos descritos


considerando elementos físicos, estamos na superfície terrestre olhando para o céu; o céu é nada mais nada menos que gases; sendo assim, não possui estrutura física palpável; onde fica o fim do céu seria talvez onde começa a terra? estamos no céu? onde termina a terra e onde começa o céu? onde termina uma sombra? onde o vento começa seu trajeto? considerando a imensidão do mar, por que não povoarmos ele? considerando a velocidade de um raio, por que nos preocuparmos se ele virá? não o veremos quando ele nos matar. quem nunca sonhou em tocar no sol? quem nunca sonhou em cair em um buraco negro para ver o que tem do outro lado? quem nunca sonhou em ser imortal? quem nunca sonhou em ser letal? quem nunca tentou contar as estrelas? quem nunca tentou parar um fluxo d'água? por que falamos tanto? por que pensamos tanto? por que sentimos a necessidade de nomear tudo o que encontramos? para que tentar entender tudo o que vivenciamos? por que medimos? por que competimos? o céu é o limite, mas onde fica o céu?

sexta-feira, 14 de maio de 2010

início ou fim

saudade de seu sorriso expontâneo, de sua calma insana, de sua pupila dilatada...!
saudade do tempo que as coisas aconteciam sem preocuparmos com o tempo que se vai.

bons tempos foram aqueles que riamos de nós mesmos, que desenhávamos nossos mundos.
bons tempos aqueles que cantarolávamos refrões de músicas passadas.

bom tempo esse que vivemos! bons climas esses que vivenciamos.

sonho em alcançar o infinito.
sonho em ser o impossível.
sonho em lhe dar o mundo, sonho em te fazer notar.

e que algum dia, mais para frente do tempo em que vivemos, possamos rir dessas palavras ditas, e lembrar das coisas que passamos por hoje.
e que algum dia você se lembre das coisas que eu disse.