quarta-feira, 14 de abril de 2010

parte de uma Metade

"Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço."

domingo, 11 de abril de 2010

Coisas que já sabemos


Como você disse, demoramos muito tempo para aprender o que já sabemos desde outras eras...

Demoramos muito tempo para perceber quantas cores há nas asas de uma borboleta; demoramos a perceber o som das folhas das árvores tocadas pelo vento; a paz sussurrada pelas águas de um rio.

Como você disse, demoramos muito tempo para perceber que o bem está em amar, e nada se desvia disso...

Demoramos muito tempo para perceber que as coisas poderiam ser mais fáceis do que são; que, ao machucar alguém, você mesmo se destrói; demoramos a perceber que não morreremos se deixarmos de pensar em nós mesmos 24 horas por dia.

Como você mesmo disse, demoramos muito tempo em tentar dar valor e contabilizar valores à nós mesmos...

Demoramos muito tempo nos vendo pequenos sem nos lembrar dos átomos; e nos vendo grandes sem nos lembrar do universo.

Como você já havia dito, poderíamos ser bem melhores se não fôssemos tão bons.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Tente Outra Vez


Veja!
Não diga que a canção está perdida
Tenha em fé em Deus, tenha fé na vida
Tente outra vez!...
Beba! (Beba!)
Pois a água viva ainda tá na fonte
Você tem dois pés para cruzar a ponte
Nada acabou!
Não! Não! Não!...
Oh! Oh! Oh! Oh!
Tente!
Levante sua mão sedenta
E recomece a andar
Não pense que a cabeça agüenta
Se você parar
Não! Não! Não!
Não! Não! Não!...
Há uma voz que canta
Uma voz que dança
Uma voz que gira
(Gira!)
Bailando no ar
Uh! Uh! Uh!...
Queira! (Queira!)
Basta ser sincero e desejar profundo
Você será capaz de sacudir o mundo
Vai!
Tente outra vez!
Humrum!...
Tente! (Tente!)
E não diga que a vitória está perdida
Se é de batalhas que se vive a vida
Han!
Tente outra vez!...

quarta-feira, 31 de março de 2010

os demônios jogam cartas

Certa vez vi a beleza. Discreta, simples porém imponente. Passei por ela tendo intenção de fazê-la me ver.
Um simples fato ocorrido em menos de um segundo eternizado em uma troca de olhar como a contar em uma eternidade. A beleza olhou pra mim, e sem intenção alguma, a parecer um simples descuido, deixou expostos os seus olhos e pude ver além de minha percepção. Vi sua alma.
Ali parada, serena, conversando com dois dos que se dizem mortais, olhou pra mim e me mostrou o vazio de sua alma. Tal visão horrorizou o mais frio e rude monstro.
Sai. Corri. Fui para bem longe. Longe onde o canto não chega, onde o vento não assopra. Me escondi atrás de uma partitura. Um adágio escrito para o mais triste e odioso instrumento.
Me vi finalizando a partitura quando, por acaso, me deparei com um borrão no alto de Si menor.
Esfreguei, raspei, tentei apagar. Quando consegui arrancar uma pequena parte do borrão, ouvi uma voz terrivelmente assustadora e raivosa dizendo - Não apague! - Assustado, caí por temor e me afastei da partitura. Foi quando vi o mestre caído, sentado em seu trono, carimbado em minha partitura. Em minha música.
Aterrorizado fechei os olhos e raspei com toda minha força tal mancha viva. E, como um livramento, fui lançado em outra dimensão, Na dimensão real onde todos os seres dormem e acordam, dentro de um quarto escuro.
Nesse quarto me vi completamente imobilizado. Um ser caído segurava minhas mãos, um ser caído me estrangulava, e um ser caído segurava minha língua.
Tentei pedir socorro mas não conseguia pronunciar as palavras vindas da Luz. Me sufocavam. Certo de não conseguir nenhuma outra ajuda, dei meu último fôlego a favor de uma palavra sussurrada. Chamei a Luz. Vi todos os seres e vi o que estava em meu quarto. Sim, era meu quarto. Vi a Luz rasgar a densa escuridão, e vi por mais uma vez eu, um imperdoável, escapar da morte dos eternos.
Quinze dias se passaram até acontecer tudo e ver novamente o olhar da beleza. Mas eu já tinha visto. Já conhecia os passos. Já cantava a música. Já havia sido alertado sobre a outra música que viria. Já havia sido alertado sobre o desprezo, e sobre a morte.
Ando sozinho. Me volto à velha promessa e me prendo em todos os mundos.
Sobreviverei sozinho.
Certa vez a fera viu a face da beleza, e a beleza acalmou a fera. Desde então a fera temeu a morte.
Certa vez a fera deixou de ver a face da beleza. Desde então a fera não temeu a morte.

quem vai chorar

defina bem quem vai chorar em seu velório
defina bem quantas flores terão em seu túmulo

sinta a pulsação que acelera a cada mentira dita a você
sinta o hálito podre exalado

veja dentro dos olhos de quem não consegue olhar pra você
veja as entrelinhas obscuras

não junte pessoas como se fossem farelos de pão caídos no chão
os farelos agarram nos sapatos e incomodam ao andar

respire, ande, tranze, cante
busque, mude, volte... morte

defina bem quem vai chorar em seu velório
defina bem quantas flores terão em seu túmulo




quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Principais Coisas que Aprendi...


Depois de algum tempo você aprende a diferença,
A sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma.
E você aprende que amar não significa apoiar-se,
E que companhia nem sempre significa segurança.
E começa a aprender que beijos não são contratos,
E presentes não são promessas.
E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida
E olhos adiante, com a graça de um adulto,
E não com a tristeza de uma criança.
E aprende a construir todas as suas estradas no hoje,
Porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos,
E o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo, você aprende que
O sol queima se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que não importa o quanto você se importe,
Algumas pessoas simplesmente não se importam...
E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa,
Ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.
Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobre que se leva anos para se construir confiança
E apenas segundos para destruí-la,
E que você pode fazer coisas em um instante,
Das quais se arrependerá pelo resto da vida.
Aprende que verdadeiras amizades
Continuam a crescer mesmo a longas distâncias.
E o que importa não é o que você tem na vida,
Mas quem você tem na vida.
E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos que mudar de amigos,
Se compreendemos que os amigos mudam.
Percebe que seu melhor amigo e você
Podem fazer qualquer coisa, ou nada,
E terem bons momentos juntos.
Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida,
São tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos
Deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas,
Pode ser a última vez que as vejamos.
Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós,
Mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Começa a aprender que não se deve comparar com os outros,
Mas com o melhor que pode ser.
Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser,
E que o tempo é curto.
Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo,
Mas se você não sabe para onde está indo, qualquer caminho serve.
Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão,
E que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade,
Pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação,
Sempre existem dois lados.
Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer,
enfrentando as conseqüências.
Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera
que o chute, quando você cai, é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.
Aprende que maturidade tem mais a ver
Com os tipos de experiência que se teve,
E o que você aprendeu com elas,
Do que com quantos aniversários você celebrou.
Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.
Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens,
Poucas coisas são tão humilhantes
E seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando está com raiva, tem o direito de estar com raiva,
Mas isso não te dá o direito de ser cruel.
Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame,
Não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode,
Pois existem pessoas que nos amam,
Mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém,
Algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo.
Aprende que com a mesma severidade com que julga,
Você será em algum momento condenado.
Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido,
O mundo não pára para que você o conserte.
Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.
Portanto, plante seu jardim e decore sua alma,
Ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.
E você aprende que realmente pode suportar...
Que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe,
Depois de pensar que não se pode mais.
E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!
Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem
Perder o bem que poderíamos conquistar,
Se não fosse o medo de tentar.
( Wlliam Shakespeare )

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

O Conto Do Gigante Que Vivia Entre As Montanhas


Certo tempo, há muito tempo atrás, houve um gigante. Grande e atrapalhado, o gigante vivia sozinho, pois havia sobre ele um mal: o mal de destruir tudo o que tocava. Não podia aproximar das pessoas, pois elas corriam dele; não podia aproximar da cidade, pois la ninguém o desejava; não se aproximava dos animais, pois os mesmos temiam por ele; e, assim, o gigante vivia: sozinho.

Também houve uma menina que se chamava Iley, nesse mesmo tempo, mas, diferente do gigante, havia sobre ela uma dádiva: a dádiva de concertar tudo o que tocava. Dessa menina saia virtude, paz e alegria, e todos gostavam de ficar próximos a ela.

Certa vez Iley andou por caminhos distantes de sua casa, no vale entre as montanhas, no mesmo vale onde vivia o gigante. E lá os dois se encontraram.

Por sua sina, o gigante machucou a menina e isso o magoou muito, pois não desejara tal coisa. Por seu dom, Iley acalmou o gigante e, também, se curou, pois tinha poder para tal.

Então Iley, com sua dádiva, bloqueou o mal do gigante antes que o mesmo a machucasse novamente. E ela, então, entendeu que o encontro dos dois não havia sido ao acaso, e sim por destino ou por vontade do Grande Deus. E o gigante pode se aproximar de Iley, e desde então, o gigante não mais andou só.

Fim...!